Hipotireoidismo por Dr. Renato de Castro Capuzzo da SBCCP

1) O que é hipotireoidismo?

O hipotireoidismo é a situação em que há uma quantidade insuficiente de hormônios tireoidianos circulantes no organismo. Isto leva a alteração no metabolismo dos diversos órgãos do corpo levando a sintomas clínicos e alterações laboratoriais.

2) Quais os sintomas do hipotireoidismo?

O hipotireoidismo pode causar sintomas em diversos órgãos do corpo humano iniciando com sintomas gerais como cansaço, ganho de peso, depressão, intolerância ao frio e dificuldade de concentração. Os pacientes apresentam diminuição na freqüência dos batimentos cardíacos, pele seca, depressão, unhas e cabelos quebradiços e dores articulares. Ocorre também obstipação intestinal (prisão de ventre), fadiga muscular, alterações menstruais e inchaço nas pernas e no rosto e elevação dos níveis de colesterol.

Lembre-se, os sintomas do hipotireoidismo não são específicos da doença e podem se apresentar por outros motivos. Cabe ao medico avaliar cada um de seus sintomas e interpretar se são decorrentes da falta do hormônio ou não.

3) Quais as causas de hipotireoidismo?

A causa mais comum de hipotireoidismo é a Tireoidite Crônica de Hashimoto, uma doença em que o organismo produz anticorpos contra a própria glândula tireóide, levando a uma redução de sua função e conseqüente diminuição da produção de hormônios.

Os tratamentos da glândula tireóide como a cirurgia de tireoidectomia, o Iodo radioativo ou radioterapia cervical podem levar ao hipotireoidismo.

O hipotireoidismo congênito pode ser decorrente da ausência de glândula tireóide ao nascer ou por mau funcionamento da mesma.

O uso de alguns medicamentos assim como o excesso de ingestão de Iodo na dieta pode levar ao hipotireoidismo, que são causas potencialmente reversíveis.

4) Como se trata o hipotireoidismo?

O hipotireoidismo é tratado através da reposição do hormônio tireoidiano, que é a levotiroxina. Progressivamente os sintomas irão desaparecer com o uso contínuo do medicamento. Esta melhora é lenta e gradual e mesmo com o desaparecimento dos sintomas, a reposição hormonal não deve ser interrompida, senão o hipotireoidismo retornará.

A reposição com a levotiroxina não atua na causa do hipotireoidismo, já que é mais simples corrigir o efeito da falta de produção hormonal do que estimular a glândula a produzi-los novamente.

5) Como faço para saber se tenho hipotireoidismo?

O diagnóstico de hipotireoidismo é confirmado laboratorialmente através da dosagem do TSH no sangue do paciente. A dosagem ultra-sensível de TSH possibilita avaliar precocemente se a produção de hormônios pela tireóide é insuficiente para o organismo. Valores acima do limite superior da normalidade são considerados de hipotireoidismo.

6) O hipotireoidismo é comum?

O hipotireoidismo é extremamente comum e estima-se que acometa cerca de 5 milhões de brasileiros. Muitas pessoas não sabem que apresentam a doença porque seus sintomas são confundidos com cansaço, desânimo e sintomas de stress.

Uma pesquisa mostra que a incidência de hipotireoidismo entre as mulheres brasileiras é a mais alta do mundo, chegando a 12,3%, sendo que apenas um sexto sabe de sua doença O hipotireoidismo pode ser encontrado em homens e mulheres. Sua incidência aumenta com a idade, sendo sete vezes mais freqüentes nas mulheres, principalmente após os 50 anos.

7) O tratamento do hipotireoidismo é para o resto da vida?

Como o hipotireoidismo é decorrente de uma situação quase sempre irreversível da diminuição da produção de hormônios pela tireóide, normalmente, a reposição hormonal é necessária por toda a vida.

Doenças da tireóide por Dr. Renato de Castro Capuzzo da SBCCP

Conceitos

1) O que é a tireóide e onde se localiza no corpo humano?
A glândula tireóide é um órgão do sistema endócrino do corpo humano. Ela se localiza na porção central e inferior do pescoço, logo abaixo do “Pomo de Adão”, que é uma cartilagem da laringe. Toda vez que ocorre o movimento de deglutição, ela se movimenta para cima e para baixo junto com a laringe. Veja auto-exame de tireóide

2) Para que serve a glândula tireóide?
A tireóide é produtora dos hormônios tireoidianos (T3 e T4), que são responsáveis pelo controle de diversas partes do metabolismo dos órgãos do corpo humano. Sua atividade (produção e liberação dos hormônios) é controlada pela hipófise, através de uma substância chamada TSH (hormônio estimulante da tireóide).

3) Quais as doenças que podem acometer a glândula tireóide?
A tireóide pode sofrer de doenças que acometam sua forma (aumento difuso ou nodular), sua função (hipertiroidismo ou hipotireidismo), ou ambas.
Os nódulos de tireóide podem ser únicos ou múltiplos, benignos ou malignos, produtores de hormônio ou não. A grande maioria dos nódulos tireoidianos são benignos e não produzem hormônios. Para informações sobre nódulos malignos veja câncer de tireóide. Geralmente a presença dos nódulos não interfere na produção global de hormônios pela glândula, mas alguns nódulos podem produzir hormônios em excesso, independente do controle da hipófise. Devido à presença dos nódulos a glândula pode adquirir grandes dimensões, causando sintomas compressivos cervicais (falta de ar ou dificuldade para engolir). Porém, nem todas as tireóides aumentadas têm nódulos, uma vez que a glândula pode estar difusamente aumentada (em geral devido à deficiência de Iodo ou a doenças auto-imunes).
Para informações sobre alterações na função da glândula, ver hipotireoidismo e hipertireoidismo.

4) O que é bócio? Qual a sua freqüência na população?
Bócio é definido como um aumento da glândula tireóide. Este aumento pode ser devido à nódulos, doenças inflamatórias (tireoidites) ou aumento difusos da glândula.
A freqüência de bócio multinodular chega a 30% da população mundial. Em 1990, mais de 650 milhões de pessoas no planeta eram afetadas por bócio, principalmente devido à carência de Iodo em algumas regiões centrais da África e da China. No Brasil, em 1955, 20,7% das crianças em idade escolar apresentavam bócio endêmico. Este número caiu para 14,1% em 1974 devido à medidas de acréscimo de Iodo ao sal de cozinha.



5) Por que aparecem os nódulos na Tireóide?
As causas dos nódulos da tireóide tem sido amplamente estudadadas e debatidas. Os fatores mais claramente relacionados com a formação de nódulos são a carência de Iodo na dieta e o hipotireoidismo (elevação do TSH). Há, sem dúvida, uma maior predisposição de se desenvolver nódulos tireoidianos com o aumento da idade. Alguns estudos mostram que o consumo de Iodo em excesso leva ao aparecimento do bócio, assim como a gravidez aumenta as chances de aparecimento de nódulos.
Todos os nódulos da tireóide devem ser avaliados para se afastar a possiblidade de serem Câncer de Tireóide .

6) A glândula tireóide faz engordar ou emagrecer?
A crença de que quem tem doença de tireóide engorda ou emagrece deve ser esclarecida. De maneira geral, portadores de hipotireoidismo tendem a ganhar peso, e portadores de hipertireoidismo tendem a perdê-lo, devido às alterações das taxas de metabolismo corpóreo que essas doenças causam. Porém, há diversos graus de alterações da produção de hormônios, que nem sempre refletem no peso do indivíduo. Pacientes com hipotireoidismo discreto podem não perder peso, e pacientes com hipertireoidismo podem ter grande aumento do apetite, vindo até a ganhar peso. Além disso, desde que não haja interferência na produção de hormônios, a presença de nódulos não causa alterações de peso. E quando o hipotireoidismo ou o hipertireoidismo estiverem tratados, o peso tende a se estabilizar. Assim, indivíduos submetidos a tireoidectomias não necessariamente irão ganhar peso, uma vez que terão controle hormonal adequado com o acompanhamento médico.
Ainda assim, apesar de que a obesidade é uma doença muito freqüente na população, e nem sempre está relacionada a problemas de tireóide, indivíduos que têm grandes ganhos ou grandes perdas de peso devem procurar atendimento médico especializado, não só para investigação de doenças tireoidianas, como também para tratamento desta condição mórbida.


7) As doenças da Tireóide afetam a voz?
Raramente. O hipotireoidismo é uma condição clínica que pode levar em alguns casos a rouquidão e alterações no timbre da voz (voz mais grossa).
O câncer de tireóide, principalmente nos estágios iniciais, dificilmente leva a rouquidão. Somente casos avançados costumam levar a alterações na função das cordas vocais.



8) As doenças da tireóide causam dor no pescoço?
A grande maioria das doenças tireoidianas não causam dor, mas algumas condições podem causar. A tireoidite subaguda (chamada de DeQuervain) é uma doença relativamente incomum que pode, em seus estágios iniciais, causar dor cervical na região da tireóide, e a tireoidite aguda (infecção bacteriana da tireóide, doença raríssima) também causa dor. Nódulos que apresentem rápido crescimento (em geral devido a sangramento intranodular) podem apresentar dor localizada.
O câncer de tireóide não costuma causar dor, apenas em estádios mais avançados.
A tireoidite de Hashimoto, que é a doença tireoidiana mais comum e causa hipotireoidismo, não causa dor, pois, apesar de ser um processo inflamatório da glândula, é extremamente lento e crônico.
De qualquer forma, as dores oriundas da glândula tireóide costumam ser localizadas na região da glândula, e são muito menos freqüentes do que outras doenças que causam dor no pescoço (como doenças de coluna ou aumento inflamatório de linfonodos cervicais).

9) Quais são os exames para avaliar os problemas da tireóide?
Os exames que freqüentemente são pedidos para avaliar os distúrbios da glândula tireóide são:

Dosagem de hormônios tireoidianos e TSH: Normalmente são solicitados o TSH e o T4 livre, que serão os hormônios que mais influenciarão nas decisões clínicas. Eles avaliam a função da glândula tireóide sendo que o TSH elevado indica hipotireoidismo e o TSH diminuído indica hipertireoidismo. Em algumas situações são solicitados o T4 total, T3 total e o T3 livre.
Dosagem de anticorpos tireoidianos: São solicitados para avaliar a presença de algumas doenças autoimunes da tireóide como a tireoidite de Hashimoto, a tireoidite subaguda e a Doença de Graves (hipertireoidismo). São eles o anticorpo anti peroxidase (Ac TPO), anticorpo anti-tireoglobulina (AC TG) e Anticorpo anti receptor de TSH (TRAB).
Ultrasson de tireóide: É extremamente importante para avaliar a presença de nódulos tireoidianos, principalmente os não palpáveis. Informações como tamanho, localização dentro da glândula e características dos nódulos norteiam a decisões cirúrgicas assim como servem para o acompanhamento clínico dos mesmos. O Doppler associado ao ultrasson fornece informações sobre a vascularização dos nódulos , que podem aumentar as suspeitas de malignidade.
Biópsia por punção aspirativa com agulha fina (PAAF): Exame fundamental para se tomar a decisão de se realizar a cirurgia de tireóide, pois é o mais sensível para detectar malignidade. O exame consiste em colher células dos nódulos tieoidianos através de uma punção com agulha orientada ou não por ultra-sonografia. Basicamente, os resultados podem ser benignos (bócio colóide, bócio adenomatoso, tireoidite crônica linfocitária, cisto colóide), malignos (carcinoma papilífero, carcinoma medular ou anaplásico) ou suspeitos (padrão folicular, padrão folicular com células oncocíticas ou Hürthle, padrão papilífero). Tanto os resultados malignos como os resultados suspeitos normalmente são indicativos de cirurgia por suspeita de ser um câncer de tireóide. Em muitas situações, somente a ressecção e posterior análise anátomo-patológica do nódulo é que vai determinar se o nódulo é de fato maligno ou não.
Cintilografia de tireóide: É um exame menos solicitado hoje em dia. Ele avalia aspectos funcionais da glândula e costuma classificar os nódulos em quente, frios ou mornos. Antigamente os nódulos frios eram tidos como suspeitos de câncer. Esta classificação é pouco útil atualmente para avaliar malignidade já que a punção por agulha fina é um exame muito mais sensível e especifico.
Raio X cervical: este exame serve para avaliar se a tireóide esta causando compressão e desvio das estruturas cervicais como a traquéia. Tireóides de tamanho aumentado podem comprimir a traquéia ou ter crescimentopara o tórax (bócios mergulhantes).
Tomografia Computadorizada e Ressonância Nuclear Magnética: Não são solicitados de rotina. São úteis em bócios volumosos e mergulhantes, e para avaliar possíveis invasões de estruturas adjacentes em casos de câncer de tireóide avançados. Neste último, é preferido a ressonância nuclear a tomografia pelo fato da primeira não utilizar contraste iodado, o que pode retardar o tratamento com Iodo radiaotivo pós-operatório de cirurgia de câncer de tireoide.

10) Por que se faz a cirurgia da tireóide?
As principais razões para se realizar a tireoidectomia são: Suspeita de malignidade: Apesar de não ser freqüente, o nódulo de tireóide pode ser um câncer de tireóide. Quando o médico suspeita de malignidade pela palpação dos nódulos tireóidianos ou pelo exame de punção aspirativa por agulha fina (PAAF), somente a cirurgia pode dar a certeza se o nódulo é maligno ou não. Compressão cervical , desvio de traquéia ou bócios mergulhantes: Tireóide muito aumentada ou com nódulos que levam a sintomas de compressão de estruturas cervicais, causando dificuldades para engolir e respirar são também motivos que levam a cirurgia. Tireóides que cresceram em direção ao tórax, ou bócios mergulhantes, também devem ser operadas. Hipertireoidismo refratário a tratamento clínico: Indica-se tireoidectomia quando o paciente não tolera o tratamento com remédios ou este não está sendo suficientemente eficaz para controlar o hipertireoidismo, principalmente quando a tireóide for muito aumentada ou com nódulos. Estético: Embora não seja uma indicação comum, nódulos que levam a um desconforto estético podem justificar uma cirurgia de tireóide.

11) Posso viver sem a glândula tireóide após sua retirada cirúrgica?
Sim. Os hormônios produzidos pela glândula podem ser substituídos pelos análogos sintéticos presentes em alguns medicamentos. Todo hormônio que era produzido pela glândula, deverá ser tomado através de comprimidos, sem que haja qualquer prejuízo para a saúde do indivíduo.

Tirando Dúvidas sobre Gravidez e Tireóide

Hipertireoidismo
1. Qual a relação da gravidez com o hipertireoidismo?

Resposta: O hipertireoidismo não tratado pode impedir a ovulação, causar alterações no feto ou mesmo o abortamento. As pacientes hipertireoideas grávidas devem ter o acompanhamento de um endocrinologista.

2. Tenho hipertireoidismo e gostaria de saber se passando para hipotireoidismo, corre risco de não ter filhos?

Resposta: A disfunção da tireóide deve ser tratada. Com a normalização da função tireoidiana não haverá problemas para engravidar.

3. Qual o tratamento indicado para hipertireoidismo antes e durante a gravidez?

Resposta: O ideal seria que o hipertireoidismo estivesse resolvido antes que a gravidez fosse desejada. Entretanto, se isto não for possível, ou se a gravidez acontecer, a gestante deverá usar o mínimo de drogas antitireodianas possível, devido à passagem placentária das mesmas. A gestante deverá ter um acompanhamento freqüente com o endocrinologista.

4. É verdade que mães com hipertireoidismo não tratado durante a gestação, podem ter filhos com problemas mentais? Por que isso acontece?

Resposta: Não existem evidências que o hipertireodismo materno afete o desenvolvimento mental de seus filhos. O mesmo não se pode dizer quanto ao hipotireoidismo materno, pois existe uma série de estudos que apontam que filhos de mães hipotireoidianas podem ter problemas cognitivos e até redução de QI.

Hipotireoidismo

1. De que maneira o hipotireoidismo afeta a fertilidade da mulher?

Resposta: Existe uma interação importante entre os hormônios tireoidianos (HT) e os ovários. Assim, receptores tireoidianos, que são estruturas através das quais os HT atuam, são expressos nos oócitos e células da granulosa do ovário. Os HT sinergizam com FSH (hormônio hipofisário que estimula o ovário) para exercer efeitos estimulatórios diretos nas células da granulosa incluindo diferenciação morfológica. Estudos experimentais mostram que o T4 (hormônio da tireóide) é necessário para taxas máximas de fertilizações e desenvolvimento do óvulo fecundado.

2. Quais os cuidados necessários durante a gravidez, nos casos de mãe com hipotireoidismo?

Resposta: Durante a gravidez, as mulheres portadoras de hipotireoidismo devem ter a sua dose diária de T4 aumentada. Não é bom para o desenvolvimento do bebê se o T4 estiver baixo. Além disto, as mulheres com hipotireoidismo podem ter dificuldade de engravidar e tem maior risco de abortamento.

3. Em mulheres que engravidam durante o tratamento de hipotireoidismo a dosagem do hormônio pode prejudicar o bebê?

Resposta: O ideal é que a mulher hipotireoidiana tenha a gravidez planejada e engravidem com concentrações normais de T4 no sangue. Entretanto, assim que souberem da gravidez devem procurar o seu endocrinologista, o qual, possivelmente, terá que ajustar a dose da medicação. O hipotireoidismo bem controlado não trará qualquer prejuízo ao feto.

4. A mulher que está amamentando pode continuar fazendo sua reposição de hormônios da tireóide sem causar danos ao bebê? Existe algum medicamento específico neste caso?

Resposta: A mulher hipotireoidiana poderá amamentar o bebê sem qualquer problema, mas deverá ajustar a dosagem da medicação, de acordo com as recomendações médicas.

Hipertireoidismo Congênito (no Recém-Nascido)

1. O que a mulher hipertireoidiana pode fazer durante a gravidez para evitar o hipertireoidismo no recém-nascido?

Resposta: O hipertireoidismo no recém-nascido não é comum, documentando-se incidência menor que 1% nas crianças nascidas de mães hipertireoidianas. É causado pela transferência pela mãe de anticorpos estimuladores da tireóide. Quando a mãe é tratada com drogas antitireoidianas o feto se beneficia do tratamento materno e permanece eutireoidiano durante a gestação. Entretanto, o efeito protetor da droga é perdido após o parto e o hipertireoidismo clínico poderá se desenvolver poucos dias após o parto, podendo requerer tratamento com drogas antitireoidianas. Altos títulos de anticorpos estimuladores identificados no terceiro trimestre da gestação são preditores de hipertireoidismo neonatal.

2. Existe algum risco de uma mulher sem problemas na tireóide ter um filho com hipertireoidismo?

Resposta: Existe o hipertireodismo congênito decorrente de alterações no gene que expressa o receptor de TSH (hormônio que estimula a tireóide), mas é uma condição clínica muito rara.

Nódulo Tireoideano

1. “Durante a gestação eu tive um aumento de peso em torno de 40 kg, e no final dela foi descoberto um nódulo no meu pescoço. Cheguei a fazer a biopsia, mas só agora vou começar a fazer o tratamento, pois estava amamentando e eu estou com a doença de Plummer. Eu gostaria de saber se esse aumento de peso pode ter sido decorrente do desarranjo hormonal ou não teria nenhuma ligação?"

Resposta: A doença de Plummer é um nódulo tireoidiano único e hiperfuncionante, que geralmente causa hipertireoidismo. O hipertireoidismo causa perda de peso e não ganho. Assim, creio que o seu ganho de peso não esteja relacionado ao desenvolvimento da doença tireoidiana.

TRATAMENTO COM HORMÔNIO DA TIRÓIDE (L-TIROXINA)

As razões do tratamento podem ser a atividade reduzida da tiróide (hipotiroidismo) ou casos em que é necessário controlar o crescimento da glândula aumentada (bócio) com ou sem a presença de nódulos (tumores).
Indivíduos que tomam hormônio por ter apresentado câncer da glândula tiróide também se beneficiarão com as informações aqui contidas.
Se este é o seu caso, o médico pode estar receitando o hormônio para reduzir o risco de desenvolver novo tumor, ou estar tratando a hipoatividade da tiróide resultante da cirurgia. Em qualquer situação, você deve conversar com seu médico a respeito do tratamento, para saber as razões de tomar hormônio de tiróide, e quanto tempo durará o tratamento.
Assim como seu médico, nós queremos que você saiba porque está sendo tratado(a), a importância de tomar a medicação regularmente e com confiança, e o que você espera do tratamento.
A tiroxina pode, também, ser usada para reduzir o tamanho de nódulos na tiróide ou, eventualmente, impedir que novos nódulos venham a aparecer. Os nódulos na tiróide podem ser detectados no exame clínico ou pela ultrasonografia ou por exame com iodo radioativo.

Como seu médico deve escolher a dosagem apropriada de hormônio da tiróide?

No passado não existiam testes laboratoriais confiáveis para auxiliar seu médico a escolher a dose apropriada de hormônio da tiróide. Então, deveria se basear na informação dada pelos pacientes, que diziam quando se sentiam bem ou "normais" com o remédio utilizado.
Após algum tempo de tratamento as observações mais importantes eram a melhora da nutrição dos cabelos e pele, normalização do pulso e reflexos, ou diminuição, e até desaparecimento de bócio ou nódulos. Infelizmente, este guia para terapêutica não é sempre suficientemente preciso para assegurar a correta dosagem de hormônio da tiróide.Nos dias atuais a incerteza na terapêutica tiroidiana tem sido eliminada pelo desenvolvimento de testes laboratoriais precisos e sensíveis que medem níveis sanguíneos de importantes hormônios relacionados à atividade da glândula tiróide.

Como o médico avalia seu tratamento?

Quando você visita seu médico para um "check-up" sobre o tratamento com hormônio de tiróide, espera ser questionado sobre as possíveis mudanças em seus sintomas.
Sua tiróide será examinada e o médico poderá também recomendar testes do sangue para medir a concentração de hormônios da tiróide, assim como o nível de TSH (hormônio estimulador da tiróide).
O hormônio estimulante da tiróide (TSH) é produzido pela glândula hipófise, tendo ação importante no controle da função da tiróide.
A hipófise regula a tiróide da mesma maneira que um termostato localizado na parede de sua sala regula seu aparelho de ar condicionado.Se a hipófise recebe a "mensagem" que não há hormônio da tiróide suficiente no sangue, promove a liberação de TSH, que estimula a glândula para aumentar a produção e liberação de hormônio da tiróide no sangue, até atingir quantidade suficiente na corrente sanguínea.
Nesse momento então a hipófise diminui a produção de TSH. Se há hormônio da tiróide suficiente no organismo, como ocorre em hiperatividade da glândula (hipertiroidismo) ou em uso de doses altas de medicação com hormônio da tiróide, a hipófise interrompe a produção de TSH, e os níveis dosados na corrente sanguínea diminuem sensivelmente.
Hormônio da tiróide é geralmente prescrito como tiroxina sintética pura (T4). A tiróide animal dessecada (forma antiga de terapia tiroidiana) é raramente usada hoje em dia, por conter T3, hormônio tiroidiano de ação rápida que produz níveis sanguíneos mais variáveis que a tiroxina pura, havendo também potência diferente em cada lote, já que é originada de glândulas tiróides animais, com conteúdo hormonal variável.
É sempre recomendável substituir a medicação à base de tiróide dessecada por tiroxina sintética.Não há evidência de que a tiróide dessecada, obtida de glândulas de animais (preparado "biológico"), tenha qualquer vantagem sobre a tiroxina sintética. Doses gradualmente maiores de tiroxina são dadas até que níveis de T4 e TSH atinjam valores normais.
Em pacientes idosos ou que apresentam insuficiência cardíaca, é extremamente importante iniciar o tratamento com doses baixas para que o organismo se adapte aos poucos, e atinja níveis hormonais tiroidianos normais.
Caso seu tratamento seja decorrente de hipotiroidismo, você deverá ser tratado com doses gradualmente maiores de hormônio tiroidiano, até sentir-se bem, e atingir níveis normais de hormônios de tiróide e TSH. Muitos médicos avaliam suas pacientes a cada três meses, para terem certeza de que os níveis hormonais tiroidianos permanecem normais. Para alguns pacientes, que apresentam falência tiroidiana progressiva, a dosagem hormonal deve ser aumentada aos poucos, para evitar que a tiróide continue a funcionar "lentamente".
Em casos de câncer de tiróide, deve ser receitado hormônio tiroidiano suficiente para reduzir drasticamente os níveis de TSH no sangue, pois a presença de TSH pode estimular o crescimento e a disseminação do tumor. Nesses casos testes sanguíneos periódicos podem ser realizados, para assegurar que este objetivo do tratamento está sendo atingido.
Há problemas em tomar muito ou pouco hormônio da tiróide? Se você está tratando hipotiroidismo, e não está tomando hormônio tiroidiano suficiente, alguns dos sintomas como lentidão, raciocínio lento, memória fraca, sensação de frio ou câimbras podem persistir.
Além disso, você pode ter problemas com elevação da taxa sangüínea de colesterol e conseqüente endurecimento das artérias (arteriosclerose). Se a dose de hormônio de tiróide for muito alta, podem aparecer sintomas que simulam hiperatividade de glândula, incluindo nervosismo, palpitações, insônia e tremores.
É também possível que excesso de hormônio da tiróide por muitos anos, aumente o risco de arritimias cardíacas ou outros distúrbios do coração, caso já exista doença cardíaca de base. Pode ocorrer também perda excessiva de cálcio dos ossos, aumentando o risco de osteoporose e fraturas ósseas.O que você deve fazer...

(1). Visite seu médico regularmente e compreenda o objetivo de seu tratamento.

(2). Tome o medicamento indicado diariamente. É mais fácil lembrar, se tomá-lo sempre no mesmo horário, logo após acordar, em jejum mesmo.

(3). Se o médico iniciar novo tratamento para doença não tiroidiana, pergunte se a dose de hormônio da tiróide deve ser modificada. Também avise seu médico se engravidar, pois a dose poderá ser modificada na gestação.

(4). Conte a seu médico todos os remédios que está tomando, pois muitos podem interferir na absorção do hormônio da tiróide. Por exemplo, comprimidos de ferro e cálcio podem modificar a absorção de hormônio da tiróide se forem tomados ao mesmo tempo.

(5). Converse com seu médico sobre novos sintomas, ou se já passou mais de um ano desde a última avaliação. Se mudar de médico avise o novo profissional sobre seu problema de tiróide e o tratamento que vem sendo seguido.

Resumo

A maioria dos médicos indica T4 puro como melhor forma de tratamento. A dose deve ser avaliada com dosagens de TSH e hormônios de tiróide. Não faça ajustes na dose, nem mude de marca ou tipo de tratamento sem consultar seu médico. Lembre-se que a maioria dos tratamentos é longo, e o controle com exames laboratoriais de TSH e T4 deve ser feito no mínimo 3 vezes por ano para confirmação da dose correta para seu tratamento.

Fonte: Prof. Dr. Geraldo Medeiros Neto - Nov 2004

ADMINISTRAÇÃO DE CÁLCIO E CALCITRIOL (VITAMINA D3) APÓS RETIRADA CIRÚRGICA DA TIREÓIDE PREVINE HIPOCALCEMIA PÓS OPERATÓRIA

A retirada cirúrgica da tiróide (tiroidectomia) traz como complicação freqüente níveis de cálcio baixos no sangue do paciente operado, em geral nos primeiro e segundo dias do pós operatório. Isto acontece porque atrás da glândula tireóide temos quatro pequenas glândulas do tamanho de um grão de feijão - as paratiróides.

A função das paratiróides é manter os níveis de cálcio dentro do normal no sangue. Durante a cirurgia da tiróide, as paratiróides são muito manipuladas e por isto, ficam "adormecidas" (não funcionam bem) por alguns dias após a cirurgia.

A conseqüência disto é a queda de cálcio no sangue (hipocalcemia). A hipocalcemia traz desconfortos ao paciente, principalmente sensação de formigamento pelo corpo. Se o paciente tomar 2g de cálcio por dia (com ou sem 0,5 mg de calcitriol junto), do pós operatório até uma semana após a cirurgia, evita-se hipocalcemia na maioria dos pacientes.

Fonte: Quintessence in Thyroidology - jan 2004 BRAHMS, Alemanha

Anatomopatológico... Resultado: Nódulo Benigno

Esse é meu laudo de biopsia...

Doença tireoidiana pós-parto

Durante a gravidez o sistema imunológico da mulher, responsável pela produção de anticorpos que defendem seu organismo, precisa se adaptar para não interferir no desenvolvimento fetal. O feto é encarado pelo corpo feminino como um "elemento estranho", mesmo tendo sido gerado a partir de um óvulo do próprio organismo.
A natureza, no entanto, sempre sábia, age para evitar que o sistema imunológico feminino produza anticorpos contra o feto em gestação.
Nos nove meses de gravidez, portanto, a mulher terá suas defesas menos agressivas, com capacidade reduzida de rejeitar corpos estranhos. Logo depois do parto, o sistema imunológico materno volta à ativa e, em muitos casos, com mais combatividade.
A tireóide é uma glândula muito visada pelo sistema de defesa que, com relativa freqüência, produz anticorpos contra esta importante glândula causando moléstias bem conhecidas. No pós-parto existe a possibilidade de o sistema imunológico produzir anticorpos anti-tireóide, danificando a glândula. Tireoidite pós-parto A tireoidite pós-parto é freqüente, variando a prevalência em diferentes estudos conduzidos em vários países.
A composição racial da população, condições ambientais como falta ou excesso de iodo, fatores genéticos como doenças da tireóide na família e presença prévia de anticorpos anti-tireóide antes da gravidez são alguns fatores relevantes na implicação desta doença.
Em estudo conduzido no Hospital das Clínicas, de São Paulo, notou-se que cerca de 13% de 800 grávidas examinadas antes e após o parto, apresentaram tireoidite pós-parto, com níveis elevados de anticorpos dirigidos contra a própria glândula tireóide chamados de anti-TPO.
Os sintomas e sinais podem ser: depressão pós-parto, fraqueza e cansaço, queda de cabelos, sensação de frio persistente, letargia, falta de ânimo.
Estes sintomas são compatíveis com hipotireoidismo, ou seja, falta de função da tireóide.
A causa mais provável e freqüente é a produção anômala de anticorpos contra a glândula tireóide impedindo-a de produzir os hormônios tireóideos.
A evolução da tireoidite pós-parto Confirmado o diagnóstico por exames de laboratório, é preciso avaliar o dano causado e iniciar o tratamento com hormônio tireóideo sob forma de um comprimido por dia.
A evolução parece ser favorável, mas cerca de 50% das pacientes passam a ter necessidade diária e permanente de comprimido de hormônio da tireóide enquanto a outra metade de pacientes recupera a função da tireóide sem necessidade de tratamento imediato.
Acredita-se que estas pacientes poderão, no futuro ter maior sensibilidade para desenvolver a chamada tireoidite crônica auto-imune.
A tireoidite pós-parto é relativamente freqüente, atinge cerca de 10% das mulheres e deve ser diagnosticada e tratada o quanto antes.
A rapidez implica em melhores chances de sucesso no tratamento.


Fonte: VEJA ONLINE - jul 2007

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