Hipertireoidismo por Dr. Renato de Castro Capuzzo da SBCCP

1) O que é hipertireoidismo?

É uma condição clínica causada pelo excesso de hormônios tireoidianos circulantes, devido a um aumento da produção ou da liberação destes.

2) Quais os sintomas do hipertireoidismo?

São: hiperatividade, alteração de humor (irritabilidade), sudorese e intolerância ao calor, palpitações, fadiga, fraqueza, perda de peso e aumento do apetite (ganho de peso é raro), aumento da freqüência das evacuações, alterações da menstruação (em geral, interrupção).

O médico ainda pode notar sinais, como: taquicardia, arritmias cardíacas, tremor fino, pele quente e úmida, alopécia, retração palpebral, entre outros.

Especificamente para a doença de Graves, a causa mais comum de hipertireoidismo, ainda há bócio difuso (aumento da glândula como um todo), exoftalmopatia (“olhos saltados”) e alterações cutâneas.

3) Quais as causas de hipertireoidismo?

A principal causa de hipertireoidismo é a Doença de Graves, uma patologia que acomete a tireóide, em que há produção de anticorpos que atacam a glândula simulando o hormônio TSH, um estimulador do funcionamento da tireóide. Esta é a causa de 3 em cada 4 casos de hipertireoidismo.

Há também o bócio nodular tóxico, que apresenta nódulos tireoidianos (único ou múltiplos) que produzem hormônios independentemente do controle do organismo (nódulos quentes). Esta doença geralmente acomete pacientes mais idosos, mas pode ocorrer em todas as idades..

4) Qual a freqüência de aparecimento da Doença de Graves ?

Esta doenca é relativamente comum e acomete 2% das mulheres e 0,2% dos homens. Ela geralmente ocorre em mulheres em idade reprodutiva.

5) Quais os tratamentos para hipertireoidismo?

Os tratamentos disponíveis para a doença de Graves são:

Drogas antireoidianas: medicamentos como Propiltiuracil e Metimazol são utilizados para o controle do hipertireoidismo, pois atuam na glândula diminuindo a produção hormonal . Este é o tratamento inicial e o objetiva que o paciente apresente remissão da doença com o tratamento.

Terapia com Iodo radioativo: é administrada uma pequena dose de Iodo radioativo que provoca uma reação de lesão celular tireoidiana levando a diminuição do hipertireoidismo. É o método de escolha nos Estados Unidos.

Cirurgia: é um método extremamente eficiente de resolução do hipertireoidismo, porém é cada vez menos usado. Tem espaço nos bócios muito volumosos, na doença de Graves com nódulos e na falha dos tratamentos anteriores.

Nos bócios multinodulares tóxicos costuma-se indicar o tratamento cirúrgico ou Iodo radioativo.

6) Por que tratar o hipertireoidismo é difícil e muitos pacientes abandonam o tratamento?

O tratamento medicamentoso para o hipertireoidismo pode necessitar a administração de muitos comprimidos por dia e por tempo prolongado, pois os efeitos do hormônio tireoidiano são duradouros e necessitam muitas vezes vários meses de tratamento para se obter o controle da doença. Muitos pacientes abandonam o tratamento por dificuldade de tolerar o uso de tantos medicamentos e seus efeitos colaterais.

7) Qual a melhor opção de tratamento?

Diversos fatores vão nortear a decisão de seu médico sobre o tipo de tratamento que melhor se adapta a cada paciente. O método inicial de tratamento é o medicamentoso, e a terapia com iodo radioativo é em geral a opção mais utilizada como tratamento definitivo. Pacientes crianças, adolescentes, com bócios muito volumosos ou com nódulos são mais tendentes ao tratamento cirúrgico.

8) A cirurgia para o hipertireoidismo requer algum preparo?

Sim. A condição ideal para se realizar o tratamento cirúrgico do hipertireoidismo e quando se obtém o controle dos níveis hormonais com o uso de medicação antitireoidiana e beta-bloqueadores. Esta situação pode requerer meses de preparo. Além disso, alguns cirurgiões administram altas doses de Iodo(Lugol) previamente à cirurgia com o intuito de facilitar o procedimento, pois a glândula torna-se menos sangrante e mais fácil de manipular.

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