Tireóide também deve ser tratada com oftalmologista

Não é prática comum. Mas o ideal seria que os portadores de alterações hormonais fizessem um acompanhamento da tireóide com avaliações de um endocrinologista e de um oftalmologista. Chama-se Doença de Graves a manifestação das alterações tireoidianas nos olhos e sua evolução pode levar a perdas significativas de quantidade e qualidade de visão e até mesmo à cegueira.

De acordo com a oftalmologista, Patrícia Moitinho, especialista em cirurgia plástica ocular do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), mulheres entre 40 e 50 anos de idade e fumantes são os principais alvos desta alteração que é percebida pelo aspecto de olhos saltados e pálpebras retraídas. “A Doença de Graves não é rara e a proporção é de oito mulheres para cada homem que a enfrenta”, compara a médica. Também são manifestações da Doença de Graves olhos vermelhos, irritados, semelhantes a uma conjuntivite, quando estão na fase inflamatória. A alteração se manifesta principalmente em pacientes com hipertiroidismo, aqueles em que há aumento de hormônios tireoidianos, mas também pode ocorrer em pacientes sem alterações hormonais esses respondem em até 20% dos casos.

Patrícia explica que a alteração hormonal da tireóide libera substâncias que levam os músculos extra-oculares a se espessarem e a gordura a inchar .Essa situação pode levar a compressão do nervo óptico, comprometendo a visão e é o que provoca a aparência de olho saltado, relata.

Os olhos empurrados para fora por uma hipertrofia dos músculos que os envolvem, podem levar ao risco de apresentarem inflamações corneanas e até úlcera de córnea, alerta a médica. O estrabismo também pode ser provocado por alterar os músculos extra- oculares.

Tratamento - O tratamento da Doença de Graves é longo e exige do portador de alterações hormonais um acompanhamento permanente. Segundo a médica do HOB, ao chegar ao oftalmologista, o paciente será instruído a realizar alguns exames. Uma tomografia de órbita, em uma clínica de radiologia. Este exame irá mostrar as condições do músculo extra-ocular, do nervo óptico e da gordura. Também será solicitado um exame de dosagem hormonal de T3, T4 livre, TSH.e anticorpos antitireoidianos. Outro exame, este realizado em clínicas oftalmológicas, é o de campo visual, para avaliar alterações no campo de visão.

Patrícia diz que a manutenção dos hormônios em níveis normais já leva o paciente a uma melhora. O tratamento com corticóides pode ser necessário e, eventualmente, a situação exige um procedimento cirúrgico.

Tireóide – A tireóide é uma pequena glândula com formato de borboleta que se situa na região anterior do pescoço e desempenha o papel fundamental de controlar o metabolismo de todo o organismo humano. A tireóide produz hormônios importantes na regulação corporal.

Graves – a Doença de Graves recebe este nome em homenagem ao médico Robert Graves que a descreveu em 1835. Ele identificou a anomalia como uma doença auto-imune, que gera alterações no funcionamento das glândulas tireóides e apresenta irritação nos olhos e nas pálpebras.

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