Cistos e nódulos na tireóide

Em adultos a glândula tireóide é maior nos homens (até 18 gramas) e menor nas mulheres (até 15 gramas). Aumenta durante a gravidez para atender as necessidades hormonais da mãe e da criança em gestação e decresce com a idade, podendo apresentar-se como atrófica (menor que 5g) acima dos 65-70 anos.
A tireóide produz dois hormônios (T3, T4) com ampla atividade no sistema energético, induzindo a "queima" de gordura para gerar calor. É indispensável para o tegumento cutâneo (cabelos, unhas), para a manutenção do colágeno (que sustenta a pele e a mantém viçosa e jovem), importante para a fertilidade da mulher, indispensável para o bom funcionamento do fígado, dos rins, do coração e do nosso sistema nervoso central.Enfim o bom funcionamento da tireóide fará com que nosso peso seja mantido, permaneçamos jovens e saudáveis.
Decorrente deste fato, nos últimos 10 ou15 anos tornou-se freqüente a solicitação de exames de sangue para aferir a função da tireóide, principalmente em mulheres. Passou-se, portanto, a detectar-se com mais freqüência a falta de função da glândula (hipotireoidismo) em pessoas que nada ou quase nada sentiam.
Mais recentemente o uso cada vez mais freqüente da ultra-sonografia indicou que um número crescente de pessoas apresenta cistos (pequenas esferas cheias de líquido) ou nódulos (formações geralmente sólidas dentro do tecido tireóideo). Obviamente o achado de um cisto ou nódulo na tireóide causa apreensão ao paciente.

O diagnóstico de cistos e nódulos da tireóide

O achado de um ou mais cistos na tireóide é comum e mais freqüente após os 40-50 anos. A origem do cisto é provavelmente a "morte" de um conjunto de células da tireóide, criando uma área desprovida de função, a qual é, rapidamente, preenchida por líquido da circulação e, finalmente, assumindo forma esférica.
Na ultra-sonografia surge como uma "bolinha" escura, pois os ecos emitidos pelo aparelho ecográfico atravessam o líquido e não retornam (fenômeno que se chama hipoecogenicidade).
Do ponto de vista prático os cistos são benignos. Somente quando existe no seu interior um "pedaço" de tecido, projetando-se para o interior líqüido é que pode pensar em realizar uma punção deste tecido e examinar as células em microscópio.
Apenas 2% dos cistos podem albergar tecido maligno no seu interior. Já com os nódulos, a conduta do médico deve ser mais cautelosa. Nódulos sólidos de um centímetro ou mais em jovens de menos de 20 anos ou adultos com mais de 45 anos são, particularmente, os que deverão ser avaliados cuidadosamente sob o ponto de vista ecográfico.
Embora o procedimento de examinar o nódulo com o aparelho de ecografia esteja muito difundido o que conta é a experiência do examinador. Muitas vezes o laudo que nos chega às mãos é incompleto (não fornece o volume glandular ou do nódulo), não menciona as características do nódulo, não se alonga em detalhes importantes para diagnóstico preliminar adequado.
As imagens enviadas ao clínico pelo ecografista não ajudam, pois muitos detalhes não são visíveis.
Enfim, na dúvida, é oportuno telefonar ou comunicar-se com o ecografista para maiores esclarecimentos.
Existem peculiaridades ao nódulo que eventualmente seja maligno que todos conhecem: bordas "borradas" e pouco nítidas, pequenas calcificações, muitos vasos sangüíneos no interior, nódulos muito escuros (hipoecogênicos) entre outras aspectos.

A punção é essencial para o diagnóstico

Quando o médico tem dúvidas se o nódulo é benigno ou maligno impõe-se a decisão de realizar uma punção, que é realizada com agulha fina, sem necessidade de anestesia local.
A pele cervical é pouco enervada e quando se fazia barba com navalha, pequenos cortes nem eram sentidos pelo ato de barbear-se.
A punção permite obter células do cisto/nódulo, prepará-las em lâminas e examiná-las ao microscópio. De forma genérica pode-se dizer que cerca de 85% dos nódulos sólidos são benignos (e, portanto, 15% são suspeitos de malignos).
Cistos são geralmente benignos (2% teriam tecido maligno no interior). Confirmado pelo exame citológico, o cisto poderá ser tratado com aspiração do conteúdo e injeção, pela mesma agulha que o aspirou.
Este tratamento é repetido duas ou três vezes até o desaparecimento do cisto e cura do paciente.
No caso do nódulo apresentar citologia suspeita para malignidade, a solução é a retirada total da glândula, isto é, tireoidectomia total seguida, geralmente, de tratamento com iodo radioativo.
A cura dos pacientes, isto é, a evolução para anos sem retorno da doença é de 95% o que coloca o câncer de tireóide entre os com maior chance de cura.
Fonte: VEJA ONLINE - mar 2008

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