Doença tireoidiana pós-parto

Durante a gravidez o sistema imunológico da mulher, responsável pela produção de anticorpos que defendem seu organismo, precisa se adaptar para não interferir no desenvolvimento fetal. O feto é encarado pelo corpo feminino como um "elemento estranho", mesmo tendo sido gerado a partir de um óvulo do próprio organismo.
A natureza, no entanto, sempre sábia, age para evitar que o sistema imunológico feminino produza anticorpos contra o feto em gestação.
Nos nove meses de gravidez, portanto, a mulher terá suas defesas menos agressivas, com capacidade reduzida de rejeitar corpos estranhos. Logo depois do parto, o sistema imunológico materno volta à ativa e, em muitos casos, com mais combatividade.
A tireóide é uma glândula muito visada pelo sistema de defesa que, com relativa freqüência, produz anticorpos contra esta importante glândula causando moléstias bem conhecidas. No pós-parto existe a possibilidade de o sistema imunológico produzir anticorpos anti-tireóide, danificando a glândula. Tireoidite pós-parto A tireoidite pós-parto é freqüente, variando a prevalência em diferentes estudos conduzidos em vários países.
A composição racial da população, condições ambientais como falta ou excesso de iodo, fatores genéticos como doenças da tireóide na família e presença prévia de anticorpos anti-tireóide antes da gravidez são alguns fatores relevantes na implicação desta doença.
Em estudo conduzido no Hospital das Clínicas, de São Paulo, notou-se que cerca de 13% de 800 grávidas examinadas antes e após o parto, apresentaram tireoidite pós-parto, com níveis elevados de anticorpos dirigidos contra a própria glândula tireóide chamados de anti-TPO.
Os sintomas e sinais podem ser: depressão pós-parto, fraqueza e cansaço, queda de cabelos, sensação de frio persistente, letargia, falta de ânimo.
Estes sintomas são compatíveis com hipotireoidismo, ou seja, falta de função da tireóide.
A causa mais provável e freqüente é a produção anômala de anticorpos contra a glândula tireóide impedindo-a de produzir os hormônios tireóideos.
A evolução da tireoidite pós-parto Confirmado o diagnóstico por exames de laboratório, é preciso avaliar o dano causado e iniciar o tratamento com hormônio tireóideo sob forma de um comprimido por dia.
A evolução parece ser favorável, mas cerca de 50% das pacientes passam a ter necessidade diária e permanente de comprimido de hormônio da tireóide enquanto a outra metade de pacientes recupera a função da tireóide sem necessidade de tratamento imediato.
Acredita-se que estas pacientes poderão, no futuro ter maior sensibilidade para desenvolver a chamada tireoidite crônica auto-imune.
A tireoidite pós-parto é relativamente freqüente, atinge cerca de 10% das mulheres e deve ser diagnosticada e tratada o quanto antes.
A rapidez implica em melhores chances de sucesso no tratamento.


Fonte: VEJA ONLINE - jul 2007

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