Anticorpos Antitireoideanos

As doenças tireoidianas de etiologia auto-imune são acompanhadas da presença de auto-anticorpos. Sua determinação está indicada na investigação diagnóstica das tireoidites auto-imunes, principalmente doença de Hashimoto, doença de Graves, tireoidite pós-parto e mixedema idiopático.

Na investigação diagnóstica, recomenda-se a utilização da pesquisa associada de mais de um anticorpo para avaliar, dessa forma, a presença de anticorpos contra os diferentes antígenos. Os anticorpos mais pesquisados são antitireoperoxidase (anti-TPO), antitireoglobulina (anti-TIREO) e os anticorpos anti-receptores de TSH (TRAB).

Os anticorpos antimicrossomais foram por muito tempo, em associação com as dosagens dos hormônios tireoidianos, considerados o padrão para o diagnóstico das tireoidites auto-imunes. Hoje, podem ser substituídos pela pesquisa dos anticorpos antiperoxidase tireoidiana. A tireoperoxidase (TPO), principal enzima envolvida no procedimento de síntese de hormônio da tireóide, é uma glicoproteína, expressa apenas em células foliculares da tireóide. Ela é o principal antígeno na partícula microssomal da tireóide.

Os anticorpos antitireoperoxidase estão presentes em 4 a 9% dos adultos normais, em 57-74% dos pacientes com doença de Graves, em 99-100% dos pacientes com doença de Hashimoto ou mixedema idiopático, em 19% dos casos de tumores diferenciados de tireóide e, raramente, em pacientes com tireoidite subaguda. A prevalência de positividade em pacientes idosos (80 anos) é mais alta nas mulheres (10%) comparadas aos homens (2%).

Os anticorpos antitireoglobulina estão presentes em títulos elevados em cerca de 25% dos casos de doença de Graves e em 55% dos pacientes com tireoidite de Hashimoto. Raramente observam-se casos em que os anticorpos estão ausentes devido à produção de anticorpos restrita aos linfócitos intratireoidianos. Eles podem ser detectados, com menor freqüência, em outras patologias auto-imunes, em pacientes com carcinoma de tireóide e em percentuais ainda menores em mulheres e indivíduos idosos hígidos.

Geralmente, as amostras apresentam-se positivas para anti -TIREO e anti-TPO. A positividade isolada para os anticorpos antitireoglobulina é menos freqüente que o achado isolado dos anticorpos antitireoperoxidase.
Durante a gravidez, a presença de anticorpos anti-TPO e TRAB pode ser considerada fator preditivo de tireoidite pós-parto.

Durante as fases precoces da tireoidite de Hashimoto, encontramos anticorpos antitireoglobulina significativamente elevados e níveis menos elevados de anti-TPO. Tardiamente, os anticorpos anti-TIREO podem desaparecer, enquanto os anti-TPO permanecem presentes por muitos anos.

Pacientes que apresentam outras desordens auto-imunes, como síndrome de Sjögren, lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatóide e anemia perniciosa, podem apresentar anticorpos antitireoglobulina positivos.

Outro anticorpo utilizado na investigação clínica das patologias tireoidianas são os anticorpos anti-receptores de TSH (TRAB), que podem atuar tanto estimulando como inibindo as funções tireoidianas, ligando-se a diferentes epitopos. Encontram-se positivos na doença de Graves e nas tireoidites subagudas. Por sua capacidade de atravessar a barreira placentária, podem induzir à doença de Graves neonatal por transferência passiva.

A positividade do TRAB no soro sugere doença auto-imune em atividade, mas não define o estado funcional da glândula. O ensaio baseia-se na capacidade do soro que contém TRAB de impedir a ligação do TSH. Esse teste também é útil na avaliação de remissões ou recidivas da doença.

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