Nódulo Tireóideo

1. Introdução:

Os nódulos tireóideos podem fazer parte de doenças não neoplásicas da
tireóide como o bócio colóide adenomatoso e as tireoidites, assim como de
doenças neoplásicas benignas e malignas. O grande dilema do clínico é
diferenciar os nódulos benignos dos malignos e selecionar os pacientes que
devem ser encaminhados para tratamento cirúrgico.

2. Prevalência

A presença de nódulo tireóideo na população geral é um achado bastante
comum, principalmente no sexo feminino (aproximadamente 6 mulheres para cada
homem) e aumenta com a idade. Estudos ultra-sonográficos têm mostrado que 30
a 50% dos adultos assintomáticos apresentam nódulos denominados
incidentalomas.

3. História e exame físico

Aspectos que contribuem para o diagnóstico etiológico benigno:

• História familiar de tireoidite de Hashimoto.
• História familiar de nódulo tireóideo benigno.
• Sintomas de hipo ou hipertireoidismo.
• Nódulo de superfície lisa, elástico e móvel à deglutição

Aspectos que contribuem para o diagnóstico etiológico maligno:

• História de irradiação externa do pescoço, usualmente na infância.
• História familiar de câncer tireóideo.
• Nódulo endurecido, de superficie irregular e fixo à deglutição
• Presença de linfoadenopatia cervical.

4. Avaliação laboratorial

Os pacientes portadores de nódulos tireóideos geralmente apresentam função
tireóidea normal e a dosagem sérica de T4 livre e TSH estão normais.

O hipertireoidismo clínico (T3, T4 T4livre elevados e TSH baixo) ou subclínico
(T3, T4, T4 livre normais com TSH baixo) pode estar presente nos pacientes
portadores de adenoma tóxico ou bócio multinodular tóxico.

O hipotireoidismo clínico (T4 e T4 livre baixos e TSH elevado) e subclínico (T4
e T4 livre normais com TSH discretamente elevado) pode estar presente em
pacientes portadores de tireoidite crônica autoimune e os níveis de anticorpos antitireoideanos
(Ac anti-tireoglobulina e Ac anti-tireoperoxidase) frequentemente
estão elevados.

A dosagem de tireoglobulina sérica pode estar elevada, principalmente nos
pacientes que apresentam aumento do volume glandular.

5. Avaliação cintilográfica

A cintilografia e captação da tireóide com radioiodo ou tecnécio está indicado
na suspeita clínica e laboratorial de nódulo autônomo.
A maioria dos nódulos benignos são frios à cintilografia (hipocaptantes).
Nódulos hipercaptantes, também chamados de nódulos “quentes”, de regra, são
benignos e podem corresponder a adenoma folicular ou bócio colóide
adenomatoso. Por outro lado, os carcinomas de tireóide, normalmente se
apresentam “frios” à cintilografia. Portanto, a cintilografia não é útil para diferenciar
nódulos benignos de malignos, exceto se o nódulo for “quente”; nesse caso
podemos descartar malignidade.

6. Avaliação ultra-sonográfica:

Deve ser realizada rotineiramente com a finalidade de confirmar o diagnóstico
clínico, determinar se o nódulo é único ou múltiplo, verificar as características
macroscópicas do nódulo como contorno (regular ou irregular), ecogenicidade
(normal, aumentada ou diminuida) , presença ou não de áreas líquidas ou
calcificações. A presença de uma ou mais características acima pode direcionar o
raciocínio clínico para um provável nódulo benigno ou suspeito para malignidade.

Características sugestivas de benignidade: nódulo anecóico
(correspondente a cisto puro), nódulo isoecóico (ecogenicidade semelhante ao
do parênquima tireóideo normal, isto é com quantidade normal de células e
colóide) ou hiperecóico (ecogenicidade maior que o parênquima normal
representa maior quantidade de colóide em relação ao de células foliculares,
geralmente presente no bócio colóide), presença de halo hipoecóico periférico,
nódulo misto (semelhante a esponja).

Características suspeitas para malignidade: contorno irregular ou borrado,
nódulo hipoecóico (predomínio de células e colóide escasso ou ausente) e
presença de microcalcificações.

Classificação ultra-sonográfica dos nódulos:

Grau I (benigno): imagem anecóica arredondada, de contorno regular
compatível com cisto de tireóide.

Grau II (benigno): nódulo misto semelhante a uma esponja e imagens
nodulares sólidas com ecogenicidade normal (isoecóica) ou aumentada
(hiperecóica), podendo apresentar calcificações ou áreas líquidas são
sugestivas de bócio colóide adenomatoso ou adenoma folicular.

Grau III (indeterminado ou duvidoso): nódulo único de ecogenicidade normal
(isoecóica) inserida em glândula de volume e textura normais; nódulo de
ecogenicidade diminuida (hipoecóica), de contornos regulares, podendo
apresentar área liquida e cisto com componente sólido em sua parede.

Embora, a maioria desses nódulos sejam benignos, cerca de 10% desses
nódulos podem corresponder a carcinomas de tireóide.

Grau IV (suspeito para malignidade): nódulo sólido hipoecóico, de contornos
irregulares e com microcalcificações é considerado suspeito para malignidade
e sugestivo de carcinoma papilífero. Em mais de 50% dos casos, a citologia
aspirativa confirma a suspeita.

Os nódulos classificados ultra-sonograficamente como grau I e II são
considerados benignos e podem ser acompanhados clinicamente; os nódulos
grau III e IV devem ser submetidos à punção aspirativa por agulha fina
(PAAF), para exame citológico.

7. Avaliação citológica

A punção aspirativa por agulha fina é o método mais sensível para diferenciar
nódulos benignos de malignos.

Classificação citológica:

Grau I (benigno): A presença de agrupamentos de células foliculares, por
vezes em arranjo folicular, cromatina uniformemente distribuída acompanhada
de regular ou grande quantidade de colóide é sugestiva de bócio colóide
adenomatoso; o encontro de linfócitos em diferentes fases de maturação
acompanhado de células foliculares benignas ou células de Hürthle é
compatível com tiroidite crônica autoimune.

Grau II (indeterminado): grande quantidade de células em arranjo sólido ou
folicular, podendo apresentar discreta variação de volume nuclear, cromatina
regularmente distribuída, nucléolos por vezes proeminentes, colóide escasso
ou ausente, é encontrado em nódulos adenomatosos e nas neoplasias
foliculares. Apenas 15% desses casos podem corresponder a carcinoma de
tireóide.

Grau III (suspeito): Grande quantidade de células em arranjo sólido ou
folicular, variação do volume nuclear (anisocariose), cromatina irregularmente
distribuída, nucléolos proeminentes e colóide escasso ou ausente é
considerado suspeito para neoplasia maligna de tireóide.

Grau IV (maligno): Citologia compatível com carcinoma papilífero (mais
freqüente), carcinoma medular, carcinoma anaplásico.

8. Conduta nos nódulos de tireóide.

Exames laboratoriais: TSH e T4 livre, Anticorpo anti-TPO
Ultra-som cervical para determinar volume da tireóide, quantidade e
característica do(s) nódulo(s). Nódulos considerados benignos ao ultra-som
não necessitam obrigatoriamente serem submetidos à punção aspirativa por
agulha fina para estudo citológico e podem ser acompanhados clinicamente.
Nódulos classificados como grau III ou IV devem ser avaliados pelo exame
citológico.

Nódulos que apresentem citologia benigna, podem ser acompanhados
clinicamente: nódulos com citologia indeterminada e características ultrasonográficas
benignas também podem ser acompanhadas clinicamente.
Nódulos com citologia indeterminada e características ultra-sonográfica
suspeita e nódulos com citologia suspeita ou maligna devem ser
encaminhados para tratamento cirúrgico.

0 tireóides "falaram":

Seguidores

Live Traffic Feed