O FUMO E A TIRÓIDE

Todos sabem que o fumo é prejudicial para a saúde do próprio fumante e dos que o rodeiam.
As doenças mais comumente associadas ao fumo são as cardiovasculares, pulmonares (enfisema e câncer), da boca e laringe (câncer), mas a maioria das pessoas não sabe que o fumo também pode ser danoso para a glândula tiróide.
A relação entre fumo e tiróide pode ter importantes implicações para os pacientes e seus familiares. O que existe no cigarro? Sabe-se de longa data que o tabaco contém substâncias que podem afetar a função tiroidiana.
Os tiocianatos são os mais bem estudados. Sua ação principal é impedir a captação de iodo pela tiróide através de mecanismos ainda não bem conhecidos. Como o iodo é o principal componente do hormônio da tiróide, qualquer substância que bloqueie sua entrada na glândula pode afetar a produção hormonal. Muitos alimentos comumente usados em países do terceiro mundo contém tiocianatos (como uma variedade de mandioca, a cassava) e as pesquisas indicam que o uso contínuo dessas substâncias na alimentação diária contribui para o aumento da tiróide (bócio), moléstia muito prevalente nesses países.
Isto ocorre, porque sempre que a produção de hormônio tiroideo é inadequada, a glândula aumenta de volume para tentar manter o nível hormonal normal, através de permanente estímulo originado na glândula hipófise. O bócio provocado por deficiência de iodo, agravado pela ingestão de tiocianato, constitui importante problema de saúde pública, comum nos países em desenvolvimento.
O que os estudos mostram:
Aumento da tiróide

Muitos estudos tem mostrado que fumantes apresentam volume tiroidiano maior que não fumantes. Em um estudo dinamarquês foi verificado que somente 3 indivíduos não fumantes entre 112 estudados, apresentavam aumento da tiróide, e comparativamente, 32 em grupo de 107 fumantes tinham volume maior que o normal. O efeito do fumo no volume da tiróide é mais significativo em regiões como a Dinamarca, onde a ingestão de iodo é pequena. Este fato explica porque não se encontram diferenças entre as tiróides de fumantes e não fumantes na Suécia e Holanda, onde a ingestão de iodo é maior que na Dinamarca, assim como ocorre nos Estados Unidos e no Brasil, onde o sal para uso humano é iodado.
Outras pesquisas indicam que crianças nascidas de mães fumantes apresentam tiróide maior que de mães não fumantes, sugerindo que o tiocianato pode atravessar a placenta.

Hipotiroidismo

Tiocianatos provenientes de cigarros podem influenciar o desenvolvimento de hipotiroidismo em indivíduos predispostos a apresentar disfunção tiróidea.
Em estudo japonês do ano de 1996, examinou-se a função tiróidea de mulheres com Tiroidite de Hashimoto.
No grupo de fumantes, 76% tinham hipotiroidismo e entre os indivíduos não fumantes apenas 35% apresentavam a moléstia.Foi observado também que os níveis de tiocianato eram mais altos em fumantes com hipotiroidismo. Supõe-se que o tiocianato pode alterar a função tiróidea diretamente , ou acelerar o processo autoimune degenerativo da glândula.
É bem conhecido que indivíduos com hipotiroidismo apresentam taxas altas de colesterol. Em um estudo suiço publicado em 1995, fumantes e não fumantes com hipotiroidismo leve foram estudados para se verificar a influência do fumo na expressão do hipotiroidismo.
Em pacientes com o mesmo grau de hipotiroidismo e níveis hormonais tiróideos semelhantes, verificou-se que os fumantes apresentavam taxas mais altas de colesterol que não fumantes. Este fato sugere que o fumo pode intensificar os efeitos do hipotiroidismo no corpo, possivelmente por interferir na ação do hormônio tiróideo nos tecidos.

Hipertiroidismo

Em estudo realizado em 1993 pesquisadores alemães verificaram que os fumantes apresentam probabilidade duas ou três vezes maior de desenvolver Moléstia de Graves (Hipertiroidismo) do que os não fumantes. Não há diferença significativa entre pacientes fumantes portadores de nódulos tiróideos, bócio e tiroidite, comparativamente aos não fumantes. A doença ocular associada com hipertiroidismo Verificou-se incidência 8 vezes maior de doença ocular em fumantes em comparação aos não fumantes, em pacientes com Moléstia de Graves (Hipertiroidismo). Quanto mais cigarros o indivíduo fuma, mais graves são os problemas oculares provocados pelo hipertiroidismo. Pacientes fumantes com Moléstia de Graves que apresentam distúrbios oculares mostram agravamento dos sintomas ao receberem terapia com iodo radioativo o que não ocorre com não fumantes. Como o fumo atua na Moléstia de Graves Embora não haja ainda conclusão sobre a forma como o fumo facilita o desenvolvimento de Moléstia de Graves, provavelmente algumas substâncias existentes no tabaco, como o tiocianato, podem ativar reações anormais do sistema imunológico, conduzindo ao hipertiroidismo.
Além disso, outros hábitos dos fumantes, que não são comuns em não fumantes, como consumo excessivo de café e álcool, podem desencadear a Moléstia de Graves.

Recomendações

O que pode ser recomendado?
Em primeiro lugar, é óbvio que o fumo é prejudicial à saúde. As conseqüências do tabagismo mais conhecidas são doença cardíaca, pulmonar ou câncer. Então, a recomendação principal é parar de fumar, fato que indiretamente pode prevenir o aparecimento de disfunção tireóidea. Apesar da pouca compreensão dos mecanismos pelos quais o fumo influencia a função e estrutura da glândula tiróide, em indivíduos com alto risco de desenvolver Tiroidite de Hashimoto ou Moléstia de Graves, o fumo parece ser fator desencadeante de hipotiroidismo ou hipertiroidismo. Além disso, em casos de Moléstia de Graves com comprometimento ocular, há agravamento do quadro clínico nos fumantes em comparação aos não fumantes, e exacerbação do quadro com radioiodoterapia.

Fonte: INDATIR

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